As propostas de Reforma da Justiça de Baltasar Teles

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São [os abexins] naturalmente mui sujeitos à razão e à justiça, e assim em qualquer briga escassamente cessarão de jogar os bambus, quando logo tomam juízes louvados ou o senhor da terra, e dão às partes suas razões verbalmente, sem as papeladas de nossos autos (que ordinariamente são um pego imenso de trapaças, e ouvindo a sentença estão por ela sem mais embargos em réplicas nem tréplicas, nem apelações ou agravos, e com isso escusam o estrondo dos rábulas forenses e os gastos das penas dos escrivães.
Que certo é um mui louvável costume, porque, que montam entre nós tantos autos e apensos, tantos termos, tantas cotas e tantas dilações, tantos embargos, tantas excepções entre autores e réus como sucede em qualquer demanda, se no cabo, ou ambas ou ao menos uma das partes sempre há-de ficar queixosa, porque ordinariamente ambas cuidam que têm justiça ? Quanto melhor era acabar-se a demanda logo com a primeira sentença, ainda que uma das partes se queixasse ? Porque, se continuais com a causa, no fim as queixas, de uma e outra parte, sempre hão-de ser as mesmas e os gastos muito maiores; mas pouco remédio tem isto, ao menos em o nosso Portugal, onde muitos morrem nos pleitos e muitos vivem das demandas

Baltasar Teles , S.J. (1595-1675) , em História da Etiópia, Biblioteca da Expansão Portuguesa, Publicações Alfa, Lisboa, 1989.
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Sobre ivogoncalves

65 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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