Por que razão têm as entidades públicas depósitos em bancos privados semi-falidos ?

A corrida aos depósitos no BANIF criada pela TVI de Sérgio Figueiredo ao anunciar o encerramento do Banco quase transformou o anúncio numa self fulfilling prophecy  ou seja só o encerramento permitiria arrastar o assunto até Janeiro para ser aplicada a legislação “europeia” sobre resolução e penalizar os 7411 “ricos” que o Correio da Manhã da véspera de Natal diz terem sido salvos pela venda do BANIF.

Parece que a “Europa”  obrigou as autoridades portuguesas a encerrarem o assunto antes, mas se este novelo tivesse sido propositadamente mantido enredado com o fim de arrastar a situação até à conversão em capital dos depósitos acima de 100 mil euros não teriam os depositantes em causa o direito de processar o Estado ?

Não tendo sido encerrado o Banif, e tendo-se volatilizado mil milhões de euros de depósitos, apesar da garantia “política” de António Costa de que os superiores a 100 000 euros seriam salvaguardados, quantos mais sairiam nos 15 dias seguintes, se essa garantia não tivesse sido prestada ?

Portanto, ou se encerrava o Banif naquele mesmo dia ou não havia solução sem perdas, como não houve.

Mas colocam-se duas questões relevantes quanto a esta mesma questão dos depósitos de montante elevado:

  • A  primeira, a de saber se no montante de  100 000 euros, condição de recursos para muitas prestações sociais, começam os “ricos” ou simplesmente a classe média (no pressuposto de que é o único banco com que trabalham)

Já aqui discuti isso anteriormente, antes da criação do mecanismo europeu de resolução

https://ivogoncalves.wordpress.com/2013/03/26/os-grandes-depositantes-e-a-insolvencia-dos-bancos/

  • A   segunda , a de perceber as razões que explicam que, tal como no BPN, existissem no BANIF depósitos de entidades públicas tão avultados que Mário Centeno possa ter argumentado com essa  sua existência para justificar parcialmente a solução adoptada.

Já aqui escrevi em 27 de Dezembro de 2010

Mas outro  ponto houve que no caso BPN  não vi discutido, possivelmente por falta de informação, e que  foi a extensão dos depósitos das entidades públicas no Banco.  Falou-se da Segurança Social. Seria importante perceber qual o critério de aplicação de fundos desta.  A rentabilidade das aplicações ? Ou há uma orientação para repartir depósitos por todos os bancos, tipo publicidade institucional ? Ou ? Ou ? Ou ? E há alguma análise de risco ?”

É enervante perceber que no caso do BANIF se têm novamente de fazer as mesmas perguntas.

Que se obrigue então por lei o IGCP,  o IG Financeira da Segurança Social e outras entidades do sector público a  depositar as suas disponibilidades na CGD

com eventuais excepções sujeitas a autorização do Governo sob parecer do IGCP.

 

Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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Uma resposta a Por que razão têm as entidades públicas depósitos em bancos privados semi-falidos ?

  1. albertosampaio diz:

    Caro Ivo Gonçalves,

    estou convencido que a solução que preconiza de pouco adiantaria em virtude de essas entidades serem controladas pelo estado. O problema está na honestidade, ou na sua falta, dos governantes.
    Também seria interessante saber porque é que a notícia foi dada neste momento. Dada a propriedade actual da TVI, é quase certo que António Costa deverá ter a resposta.

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