A TAP de quem já ninguém fala

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Um país que só consegue ter uma balança comercial positiva à custa do turismo, que tem uma rede de comunidades radicadas no estrangeiro, que está agora novamente a “exportar” emigrantes, qualificados e não qualificados, tem certamente vantagem em ter uma companhia  implantada no negócio da aviação, sem prejuízo da concorrência.

Convenho que não tem de ser empresa integralmente pública, aliás a TAP, lançada pelo Estado, contava, à data da sua nacionalização, com participação privada no capital.

Não me parece sequer que a participação do Estado tenha de ser maioritária (solução defendida por António Costa). Por três razões :  os governos têm tendência a envolver-se na gestão corrente, uma participação maioritária do Estado pode estimular  conflitos laborais, designadamente com o sindicato dos pilotos da aviação civil, o negócio é atreito a crises que desencorajarão facilmente os pequenos accionistas.

Neste contexto, vi com algum interesse as grandes linhas da solução do governo, com definição de um caderno de encargos algo complexo, e a retenção de uma minoria de bloqueio de 34 %.

Não acompanho é a intenção de passar  rapidamente daqui para a privatização total. Fernando Pinto usou aparentemente os seus contactos para construir uma solução melhor que outras que se perfilaram, mas esta, ainda assim,  tem pouca credibilidade: um mórmon americano –  brasileiro metido na aviação mas com pouco dinheiro, um accionista português  “pintado” como maioritário.

A permanência do Estado no capital social, na proporção de 34 %, indo aos aumentos de capital que fossem necessários, e  promovendo a recomposição das componentes privadas – nacional e estrangeira  – quando alguma destas, ou a sua articulação, entrasse em crise,  poderia ser benéfica para a TAP , dum ponto de vista puramente empresarial.

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Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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