Advogado é Advogado

Pergunta do dia:

Porque é que Sócrates escolheu João Araújo para seu advogado de defesa?

Há uma forte explicação para Sócrates ter escolhido este advogado para o defender. É que João Araújo foi advogado de defesa de criminosos posteriormente condenados, das FP 25.

E como tal, acumulou uma larga experiência na fina arte de defender bandidos.

(Numa rede social, 82 “gostos”).

Julgava eu que as conquistas civilizacionais europeias incluíam não só o direito de defesa por advogado, em todas as circunstâncias, e quaisquer que sejam os  crimes imputados, mas também  que os crimes não ficassem a “contaminar” os advogados, que são profissionais e em sentido amplo, membros dos tribunais, e, que,  por maioria de razão, não se “transmitissem” aos  futuros representados destes.

Aliás veja-se o caso narrado por Henri Robert, em os Grandes Processos da História, Volume III, Livros do Brasil, sobre o processo do Marechal Bazaine, que durante a Guerra Franco Prussiana de 1870/71 capitulara em Metz com o mais forte exército francês, o exército  da Lorena.

Para diminuir o acusado, submetido a julgamento em Conselho de Guerra, o oficial que desempenhou o papel de acusador público resolveu chamar à colação a circunstância de o advogado de Bazaine, o célebre Lachaud, ter defendido o assassino de crianças Troppmann:

O General Pourcet cometeu o grave erro de lhe replicar e pronunciou – ou antes, leu, pois a sua acusação estava toda escrita – a famosa frase: “Senhores, o advogado  que tendes diante de vós, é o defensor dos maiores criminosos, é o defensor de Troppmann !”

Henri Robert explica como é que Lachaud reagiu e como é que o seu constituinte acabou por salvar a vida.

É bom que estas lições não sejam esquecidas.

Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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