Como Cruz Serra se tornou NATURALMENTE o único candidato a Reitor da NOVA Universidade de Lisboa

O projecto de fusão entre a Universidade Técnica de Lisboa e a Universidade de Lisboa (conhecida pela “Clássica”) conseguiu cumprir com sucesso todas as suas etapas e até resolver a escolha do Reitor da nova Universidade sem divisões. Era provável que houvesse hesitações entre um Reitor de perfil tecnocrático oriundo da UTL e um Reitor de perfil humanista oriundo da UL. Cruz Serra não era ainda Reitor quando o projecto arrancou mas sabia-se que Nóvoa não disputaria o lugar. Falava-se sim de uma personalidade da UL de grande prestígio na sociedade portuguesa, apoiada talvez em vice-reitores executivos.

Ficou Cruz Serra. Era necessário um Administrador ? Sim, mas sobretudo alguém que fizesse um discurso de defesa da Universidade face ao poder político como Nóvoa múltiplas vezes fez, mas que o fizesse com números. Serra tem mostrado saber fazê-lo.

O novo Reitor, líder de uma Universidade que recusou passar a Fundação (e de uma Escola que esteve quase a fazê-lo) reunida agora a uma outra onde o regime fundacional não era popular, vai optar pelo regime de autonomia reforçada, que incorpora aspectos do regime fundacional ? É quase certo, como é quase certo que não haverá oposição.

A favor de Cruz Serra jogou o quadro sindical.

João Cunha Serra, da FENPROF, apoiou o projecto e cedo estava a dar cartas em matéria de ponderação curricular do desempenho junto dos docentes da UL sem que os dirigentes / delegados regionais do SNESup dessem uma para a caixa ou respondessem sequer aos pedidos de associados. Há organizações que se reorganizam sob pressão, mas no SNESup estas dificuldades resolvem-se pondo cortinados nas janelas para ninguém ver. Escrevi em tempos uns posts sobre o sistema de barões vigente naquele sindicato que os barões da FCUL nunca me perdoarão. A FENPROF que já agia na UTL sem concorrência do SNESup em termos de liderança, tem agora o terreno livre no conjunto da nova Universidade.

Tenho aliás a sensação de que as duas grandes organizações sindicais trocaram o seu papel.

A FENPROF costumava traçar cenários negros, no que António Vicente, Presidente da Direcção do SNESup, com muita graça, qualificava como “sindicalismo assusta e foge”. Mas anunciado o projecto de fusão, João Cunha Serra, como já disse, apoiou. Quanto ao SNESup, reuniu prontamente com a Reitora interina da UTL (por falecimento de Ramoa Ribeiro) e com o Reitor da UL, Sampaio Nóvoa, e obteve a confirmação solene de que os postos de trabalho docentes estavam garantidos, o que difundiu. Exemplar.

Contudo, algum tempo depois, numa, ele próprio, de “sindicalismo assusta e foge” ou para mostrar trabalho depois do flop da avaliação de desempenho, foi solicitada pelo SNESup nova reunião, que teve lugar com Cruz Serra, Reitor da UTL e com um Vice- Reitor da UL. Os resultados estão publicados, o agora Reitor da nova UL ensinou o Sindicato a ler o Decreto-Lei já publicado, na parte onde era garantida a transição dos docentes, e explicou que a existência de escolas com formações na mesma área não implicava, para ele (pelos vistos para a parte sindical sim) que fossem consideradas redundantes. Uma lição, merecida.

Só que nesta mesma reunião o Vice-Reitor da UL mostrou desconhecer tudo sobre a reunião anterior e sobre as garantias dadas por Sampaio Nóvoa. Até que ponto é que este se desinteressou da transição ?

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Sobre ivogoncalves

65 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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