Superior já não tão mudo mas ainda quedo

<O Blogue "A Educação do meu Umbigo" de Paulo Guinote, é realmente serviço público. Foi por ele que soube de um inquérito da FENPROF de onde resultava que a 2 ª feira, 17 de Junho, ia ser dia de greve geral dos professores, incluindo do privado e do superior, e dos "Investigadores Científicos". Nada de admirar, no último dia de batalha os generais da FENPROF mandam avançar as reservas, o que sucedia com o general António Teodoro, continuou a suceder com o general Paulo Sucena e sucede agora com o general Mário Nogueira. As reservas, e até tropas que só existem na sua imaginação, como os "Investigadores Científicos" que a FENPROF estatutariamente não representa e que a acreditar no pré-aviso, iriam estar todos em greve no dia do exame de Português.

Tendo acesso ao blog "Forum SNESup" deixei a ideia de esta organização, que conta nas instituições do ensino superior com o dobro dos associados dos sindicatos da FENPROF emitir também pré-aviso para dia 17 (e talvez de greve às avaliações para a semana seguinte), colocando como aspecto central o direito à negociação, e pensando em obter algum impacto mediático para a agenda do sindicato. Mas o SNESup, que em Fevereiro começara a desestruturar a sua acção reivindicativa, veiculava uma conversa estranha sobre a negociação da Reforma do Estado (se isto não é um "desvio de direita"…) até que finalmente conseguiu recentrar na problemática dos vínculos a sua comunicação e a formulação de propostas. Obrigado pelo Tribunal a marcar reunião com o SNESup, Rosalino voltou a assim a encontrar o sindicato propositivo, mas accrocheur com que fora obrigado a reunir no ano passado, também por via judicial. Foi incluída uma salvaguarda do disposto nos estatutos de carreira que, contudo, não salvaguarda muito. O SNESup NÃO decretou greve para 17 e do que sucedeu nesse dia no ensino superior a FENPROF, que eu tenha visto, não falou.

Entretanto, a 11 de junho, de forma inusitada no sindicato, a Direção do SNESup lança, para uma resposta em três dias, um inquérito aos associados a quem diz querer dar voz: “Antes de nos decidirmos por uma iniciativa com maior relevância, como uma greve às avaliações ou uma concentração por exemplo, importa-nos avaliar a sensibilidade e disponibilidade dos associados neste momento particular.” Estava eu a trocar impressões com dois amigos que partilhavam comigo as suas respostas, fez-se luz no meu espírito. TRATAVA-SE DE UM INQUÉRITO QUE CORRIA SIMULTÂNEAMENTE NO SNESUP E NA FENPROF, o que era escondido em ambas as organizações, a democrática consulta (infra) não pedia opinião sobre a greve geral de 27 de Junho, e depois de se fazerem n perguntas sobre o cenário de greve às avaliações, fazia-se a pergunta dos 64 mil dólares: “Entende que os colegas com quem lida no seu dia-a-dia se disporão, na sua maioria, a aderir a uma greve às avaliações ?“.

Ter-se-ão recolhido umas 300 respostas, no conjunto das duas organizações, de sócios dispostos a fazer greve a avaliações ainda que fosse apenas a sua própria organização a decretá-la (pois que se ocultava que a greve podia ser convocada conjuntamente), mas a quem se fazia confessar que os outros (que nem sequer sabiam do cenário em consulta) estavam desmobilizados. PUDERA !!! Um dia que eu queira lançar um inquérito que me dê argumentos para não agir, contrato os autores deste questionário.

Tenho para mim que se o SNESup e a FENPROF tivessem anunciado a intenção de, conjuntamente, decretarem greve às avaliações de 24 a 29 de Junho, caso os inquiridos – todos os docentes, uma vez que não são só os associados que fazem greves – maioritariamente se pronunciassem a favor, e se os mesmos SNESup e FENPROF anunciassem logo o calendário de reuniões nas Escolas para a semana de 17 a 21 de Junho, os resultados podiam ter sido ser muito diferentes. Mas um dos meus amigos, que percebe mais de disputas laborais, não é dessa opinião.

Restava a concentração de hoje, 22 de Junho, que se tivesse tido 500 docentes presentes, ou os tais 300, seria um sucesso com impacto, mas teve apenas uma centena. No plano mediático, contudo, a mensagem passou muito bem.

Esta causa, e o apoio implícito que também daria à causa dos professores do básico e secundário, mereciam maior participação.

QUESTIONÁRIO AOS ASSOCIADOS DO SNESup

1. Numa situação tão grave como a atual, entende justificar-se uma greve às avaliações no Ensino Superior? *

  • ( ) Sim
  • ( ) Não

2. Está disponível para aderir a uma greve às avaliações a realizar entre os dias 24 e 29 de junho? *

  • ( ) Sim (se escolher esta opção responda, sff, à questão 2.1.)
  • ( ) Não

2.1. Se sim, em que dias aderiria à greve? (pode indicar mais do que uma opção)

  • [ ] 24 de junho
  • [ ] 25 de junho
  • [ ] 26 de junho
  • [ ] 27 de junho
  • [ ] 28 de junho
  • [ ] 29 de junho

3. Têm agendadas avaliações entre os dias 24 e 29 de junho? *

  • ( ) Sim
  • ( ) Não
  • ( ) Não sabe

4. Entende que os colegas com quem lida no seu dia-a-dia se disporão, na sua maioria, a aderir a uma greve às avaliações? *

  • ( ) Sim
  • ( ) Não

5. Está disponível para participar numa concentração na tarde do dia 22 de junho (sábado), em Lisboa, frente ao Ministério da Educação e Ciência (avenida 5 de Outubro) ou no Palácio das Laranjeiras? *

  • ( ) Sim
  • ( ) Não

6. Que outras iniciativas entende que deveriam ser desenvolvidas pelo SNESup?

7. Qual a sua Instituição / Escola?

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Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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