A 36 ª cadeira

O pessoal da minha geração ainda se deve lembrar da “charge” dos Parodiantes de Lisboa sobre a lâmina que fazia impecavelmente 15 barbas e retalhava os distraídos à 16 ª.

Lembrei-me dessa história quando li que a Inspecção-Geral da Educação e Ciência não punha em causa as 32 das 36 “cadeiras” da licenciatura de Miguel Relvas que foram obtidas por equivalência, mas sim as condições em que o Reitor da Universidade Lusófona, avocando as responsabilidades do professor, o avaliou na 36 ª.

Remeto para as considerações oportunamente tecidas por José Pacheco Pereira no Público

http://www.snesup.pt/htmls/_dlds/2012_07_14_Publico.pdf

e por João Cardoso Rosas no Diário Económico.

http://www.snesup.pt/htmls/EFukuFlZlVtrrFzbWN.shtml

Seria importante ter suscitado a declaração de inconstitucionalidade das normas do diploma que regula a aplicação do processo de Bolonha ao nosso sistema de ensino, como Jorge Miranda defendeu publicamente, o SNESup aceitou apoiar,  e a PGR resiste a fazer .

Será que o Ministério Público vai considerar nula a avaliação na  “cadeira” e a concessão do grau e avançar com a acção ?  E se avançar , será que o Tribunal  aceita esta tese ?

E não poderá o aluno / licenciado Miguel Relvas  sustentar que não lhe cabia contestar os moldes em que o Reitor Fernando Santos Neves decidiu fazer a avaliação ?

Parece-me que, a mais do que um título, nos estão a tentar deitar poeira para os olhos.

———————-

Já agora, e não deixando de concordar em que a avaliação de Miguel Relvas por Fernando Santos Neves parece ter violado normas internas da ULHT e criado uma excepção, a que não tiveram acesso outros alunos, não me parece que a  discussão oral de artigos comprovadamente da autoria do aluno seja um instrumento inadequado para realizar a  avaliação da disciplina em causa.

Mais impressão me causa a aceitação por parte do Reitor também arvorado em  Professor Luís Arouca do envio por fax de uma retroversão de Inglês Técnico por parte de um aluno – Ministro de um Ministério carregado de assessores.

Mas talvez aqui o aluno tenha objectado (e possivelmente tê-lo-à feito sem que tal viesse a público) que o procedimento era pouco transparente sem que   conseguisse demover o Reitor. Haja por aí um qualquer hagiógrafo de José Sócrates que consiga esclarecer este ponto.

Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
Esta entrada foi publicada em Ensino Superior. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s