O tricentenário de Jean-Jacques Rousseau, o ensino superior e a ciência

Só muito recentemente, ao revisitar o Contrato Social publicado em 1968 pela Portugália Editora me apercebi de que ocorre  este ano o tricentenário do nascimento de Jean Jacques Rousseau. 

Entretanto, um texto sobre os tesouros escondidos do site do SNESup levou-me  ao Heterodoxias, que desconhecia, e a uma notícia de um tal pfc, que até conheço, sobre um possível  Congresso em Junho.

http://razoar.blogspot.pt/

O bicentenário foi ocasião de fortes polémicas. O tricentenário talvez não o seja, mas Rousseau continua a ser falado.

Tenho o Emílio na minha estante, só o li uma vez e sem muita atenção. Condenado e queimado em Paris em 1762 e, julgo que no mesmo ano, em Genebra, queimado mais recentemente em Portugal por Filomena Mónica, Nuno Crato e não sei quantos mais, parece ser hoje a obra mais controversa.

Todavia ainda fui a tempo de me referir ao Contrato num trabalho cuja redacção estava a concluir.

Para os meus leitores professores e investigadores deixo uma citação de Rousseau que não é do Contrato Social nem do Emílio mas da Carta a Cristóvão de Beaumont

“Procurei a verdade nos livros; só encontrei neles a mentira e o erro. Consultei os autores ; só aí encontrei charlatães que praticam a arte de enganar os homens, sem outra lei que não seja o seu interesse, sem outro deus que não seja a sua reputação; prontos a denegrirem os chefes que os não tratam a seu agrado, mais prontos a louvar a inquidade que lhes paga…pagos pelo forte para pregarem ao fraco, a este último só sabem falar dos seus deveres e ao outro só dos seus direitos. Toda a instrução pública estará ligada à mentira enquanto aqueles que a dirigem virem interesse em mentir ; e é para eles somente que a verdade não é boa de dizer. Porque seria eu o cúmplice de tais pessoas ?”

É evidente que o ensino superior e a ciência  estão neste momento numa fase que lhes permite oferecerem pontos de partida sólidos para a  realização de  investigação em qualquer área, incluindo a ciência política.

Mas de alguma forma o texto transcrito, quando aplicado a algumas realidades contemporâneas, ainda pode ser intensamente perturbador.

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Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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