Uma história feia

No período em que as Finanças e a Segurança Social lançaram procedimentos de alienação de créditos em relativa articulação, houve quem pretendesse (lembram-se do que escrevi sobre  pessoal das pastas políticas a tentar influenciar  as pastas económicas e financeiras ?)  pressionar a venda de créditos públicos aos próprios devedores nem que fosse através de testas de ferro.

Contrapartidas para estes favores ? Quero bem crer que apenas políticas, embora nenhum dos protagonistas esteja propriamente mal na vida.

Num caso que chegou ao meu conhecimento, o interesse político na sobrevivência de um empresário de comunicação social altamente endividado levou a várias interferências com utilização de  canais diferentes: que seja do meu conhecimento, pelo menos o  chefe do gabinete do Ministro Y e o Ministro X, himself.

O desenvolto empresário resolve a dada altura pedir à Segurança Social que vendesse a um intermediário os  créditos que a detida Segurança Social detinha sobre as empresas dele. Os serviços mandaram-no passear,   invocando  carecer a iniciativa de  “oportunidade”.

Fulo, o Ministro X intervém, e descompõe toda a gente. Como pode invocar-se falta de oportunidade  num processo que ele deseja ver aberto e conduzido a bom porto ?

De modo que um Secretário de Estado pressionado (e, estou certo, pessoa honesta)  acaba por publicar   em Diário da República um despacho que desarma a Segurança Social, a obriga a instruir todos os pedidos de abertura de procedimento de alienação de créditos que os próprios devedores se lembrem de pedir, e, em sujeição absoluta às pressões, proibe os serviços de invocarem considerações de oportunidade.

Tráfico de influências ?  Talvez não. Mas o modus operandi não deixa de ser sugestivo.

Por isso é que quando oiço falar em certos casos, não digo que sim nem que não. Não ponho as mãos no fogo por nenhum deles: o X, o Y, o Z, e os seus homens de mão.

Curiosamente o empresário da comunicação social a que me referi não insistiu nesta via (tentou alternativas…) . Mas pela  porta que se abriu vieram a entrar outros.

Houve, em resumo, quem  conseguisse NÃO PAGAR.

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Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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