Empobrecer sim, mas devagar

Julgo que há algum mérito em falar-se de “empobrecimento”, como Passos Coelho, na medida em que é exactamente isso que está em causa, e não meramente  “austeridade” ou  “sacrifícios”, que de algum modo sugerem algum grau de poder de opção ou um carácter transitório.

O  empobrecimento relativo de grupos sociais ou de indivíduos  depende essencialmente de relações de poder, que neste momento são desfavoráveis aos que trabalham por conta de outrem.

No entanto a sua maior ou menor capacidade de reacção  pode influenciar, a seu favor ou contra eles, a amplitude,  o ritmo e as modalidades de empobrecimento. Não estou assim totalmente de acordo com o que Alberto Sampaio escreveu em comentário ao meu post precedente sobre a possibilidade de os movimentos anunciados ou previsíveis, designadamente a greve geral marcada para 24 de Novembro, poderem ou não influenciar o curso das políticas anunciadas.

 Assinalo aqui uma complicação adicional, que é a de os trabalhadores por conta de outrem não serem um grupo social inteiramente homogéneo.

Talvez que a anunciada definição de novas tabelas salariais para a Administração Pública e as orientações políticas que forem adoptadas  sobre pensões de reforma e de aposentação permitam prestar atenção a este aspecto da questão.

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Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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