Os famosos 100 mil funcionários públicos a despedir

Talvez ainda haja quem se lembre dos 100 mil funcionários públicos com quem o Compromisso Portugal de 2004 queria “rescindir” os contratos mediante indemnização.

100 mil que noutras versões eram 200 mil.  Isto de contar funcionários a despedir tem tanto rigor científico como contar participantes em manifestações de rua.

E  depois surgiu em torno deste tema  uma anedota recorrente tipo Ponte de Brooklin: Miguel Cadilhe queria vender ouro para financiar as “rescisões”  e de cada vez que escrevia isso nos jornais Jacinto Nunes escrevia também a explicar por que razão não se podia vender o ouro.

O facto é que nenhum dos sucessivos Governos, o actual incluído, pode dizer quantos funcionários estão a mais, a que entidades é que estão afectos, quais é que deveriam sair.

Aliás o Governo anterior virtualmente proibiu a ida de licenciados para mobilidade especial. Dá mais jeito mantê-los a trabalhar e cortar-lhes os vencimentos…  

Já referi aqui que uma estratégia de redução de efectivos passa pela conjugação de medidas inteligentes a nível de definição do  quadro legal, e de um esforço de gestão.

https://ivogoncalves.wordpress.com/2011/10/11/administracao-publica-rescisoes-por-mutuo-acordo-pre-aposentacao-mobilidade/

Quando falo de gestão, não falo de cometer ilegalidades.

Segui ontem uma parte da entrevista de Vítor Gaspar a uma das televisões, em que o jornalista, que sabia muito bem do que estava a falar, o apertou como devia de ser.

A favor do Ministro, está o ser um homem que tem dificuldade em explicar-se por não lhe ser fácil desfiar  uma qualquer argumentação  que colida com a sua integridade intelectual.

Depois daquilo por que temos passado,  é refrescante.

Mas quando navega nas águas de fundamentar o corte de vencimentos à função pública com a maior segurança de emprego desta, parece ignorar que essa segurança de emprego não é universal nem absoluta.

E ouvi-lo  voltar  à lenda dos 100 mil funcionários que teriam de ser despedidos  dá vontade de lhe perguntar se já fez a lista.

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Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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