Madeira: os limites da coragem

Falo, obviamente, da tão elogiada coragem de Passos Coelho quando anunciou que não faria campanha eleitoral na Madeira.

Em primeiro lugar, gostaria de ter ouvido anunciar que vai ser revertida a “autonomia progressiva”, recriado o direito constitucional do Presidente da República de demitir os Governos Regionais nos mesmos termos que o Governo da República, e restabelecida a nomeação do Director de Finanças da Madeira pelo Director-Geral dos Impostos.

Devemos a Durão Barroso a situação que se vive neste momento nestes domínios.

Em segundo lugar gostaria de ter ouvido anunciar que os Estatutos do PSD vão passar a permitir que a Direcção Nacional tenha a última palavra sobre a escolha dos candidatos às assembleias legislativas regionais.

Se de facto os Estatutos consagram que só as estruturas regionais podem fazer esta indicação estamos em presença da existência de verdadeiros partidos regionais que o Ministério Público, quando voltar a ter frente um Procurador-Geral do tipo Cunha Rodrigues (em vez de um “gato constipado” ou de uma “rainha de Inglaterra”) terá de pôr em causa, nem que seja colocando uma acção para obrigar o PSD a rever os Estatutos.

Em terceiro lugar, gostaria que todo o PSD nacional tivesse assumido em relação à Madeira uma postura de “derrotismo revolucionário”, apelando, não à abstenção ou ao voto nulo, mas ao voto no fiel parceiro de coligação nacional.

Muitos social democratas madeirenses o terão feito, mas não foi suficiente. 

Falhando estes três aspectos não vejo que tenha havido grande  coragem.

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Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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