Álvaro Santos Pereira e os carros blindados

A comunicação social deu grande relevo, como é natural com um novo Governo e com um ministro mediático, ainda que se não estivesse na silly season:   Álvaro Santos Pereira denunciou a “ostentação” que encontrou no Ministério, materializada na existência de 45 motoristas, de que dispensou 15,  e de carros topo de gama, adquiridos em contratos de leasing perfeitamente “blindados” que não lhe permitiram devolver as viaturas à procedência.

Simpatizo totalmente com a reacção do Ministro. Mas a questão das viaturas é uma questão recorrente. Ainda me lembro das 14 medidas de Sá Carneiro em 1979, e julgo que a pesquisa do diário oficial agora on line a partir de 1910 revelará até medidas tomadas pelo  Estado Novo.

Fico contudo com dúvidas quanto ao noticiado.

Estes 45 motoristas vêm dos dois Ministérios e uma Secretaria de Estado reunidos no super-ministério ? Mesmo assim parece de mais. E pergunto-me se são precisos 30 motoristas . Qual o regime laboral ? São contratados em regime de contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado , apesar dos congelamentos sucessivos de admissões (devem ser muito idosos…) e regressam aos serviços do Ministério ? Em contrato a termo certo ? Em aquisição de serviços ? A empresas de trabalho temporário ?

Estes contratos “blindados” (como os das parcerias público-privadas…) foram negociados pelo ex-Ministério da Economia ? Ou a longa evolução verificada na orgânica e no modelo de gestão de veículos do Estado deu em que a pretexto de uma gestão mais racional das contratações da aquisição de veículos se caiu (novamente …) numa situação de captura pelos fornecedores ?

Álvaro Santos Pereira  poderá ou não gostar de fazer show-off (parece que gosta) mas se quiser atacar o fundo da questão, deve suscitar uma revisão da política de aquisição  de viaturas junto do Governo e em particular do Ministério das Finanças.

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Sobre ivogoncalves

65 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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