João Ferreira do Amaral e a saída do Euro

Este programa da ‘troika’ pode resolver o problema de financiamento público nos próximos anos, mas não resolve o problema da economia. O programa da troika porá a economia em maiores dificuldades”, considerou hoje o economista do ISEG, numa conferência organizada pelo IDEFF e pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas.

João Ferreira do Amaral defendeu ainda que Portugal terá de abandonar a moeda única e que o deveria fazer de forma organizada, caso contrário será “empurrado” numa situação muito pior do que aquela em que se encontra.

“Fui contra a entrada mas não fui adepto da saída, até que verifiquei que a questão se põe agora em moldes diferentes do que há dois, três anos. A questão é se nós podemos permanecer no euro. Do meu ponto de vista não temos condições para permanecer no euro muito mais tempo”, disse.

O economista considera que Portugal se encontra numa situação de “ausência completa de instrumentos para tentar lidar com a situação” e que apesar de reconhecer que se trataria de um grande choque, considera que a longo prazo seria pior manter-se no euro.

“Não tenho esperança nenhuma em ser ouvido nesta matéria. Acho que vamos deixar apodrecer nesta situação. (…) Iremos ser empurrados da Zona Euro, e provavelmente em muito má situação, uma situação tipo a Argentina”, considera.

Para minimizar esta eventual saída do euro, o economista defende que teria de ser feita uma compensação, através da entrada para o mecanismo de taxas de câmbio II (que controla a variação das taxas de câmbio entre países fora e dentro do euro), com uma ajuda do Banco Central Europeu que impedisse uma grande desvalorização da moeda (eventualmente um novo escudo) e que Portugal pudesse emitir nova moeda para financiar défices, de forma a compensar em parte o aumento das dívidas, também dos particulares e empresas.”

(DN on line, 5 de Julho) 

Curiosamente, houve economias fortes que não entraram inicialmente para o Euro.

No caso da Dinamarca isto não impediu que o Banco Central procurasse manter a paridade da Coroa com o Euro, política que, em momentos de especulação sobre a moeda única, não deixou de ter os seus custos.

Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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