Estrangeirados

 Vítor Gaspar é um caso emblemático de como no Portugal de hoje um currículo que inclui participação na administração europeia valoriza os seus detentores para o exercício de funções governativas.

Muito mais curioso é ter-se ido procurar para Ministro da Economia e para Secretário de Estado do Emprego (já não do Trabalho porque a estratégia será criar emprego à custa dos direitos do trabalhador, mas deixemos isso) dois académicos ( o Álvaro, como quer ser tratado, e o Pedro, espero que também aceite ser assim tratado)  que têm há anos a sua residência e a sua vida profissional organizada no exterior, e não serem acusados de desconhecer a realidade portuguesa sobre a qual vão intervir.  Hoje em dia, talvez por muitos de nós conhecermos as realidades através da INTERNET,  ninguém levantou esta questão. Sinais dos tempos.

E também, neste recurso a “ministros de fora”, existem as mesmas virtudes que o recurso aos “juizes de fora”: não serão influenciados pelos seus interesses próprios ou de conhecidos seus, e, ainda que deixem tudo de pantanas, poderão retirar para o estrangeiro sem receio de retaliações.     

Cabe aliás recordar a experiência de Jaime Silva, na origem  quadro do Ministério da Agricultura,  funcionário comunitário desde há muitos anos, que aceitou ser Ministro no I Governo Sócrates: acreditou no PRACE, e por si só enviou para mobilidade especial mais funcionários (começando por si próprio) do que todos os outros Ministérios juntos, acreditou no combate aos interesses instalados e pôs em causa a concentração dos subsídios europeus nos grandes proprietários (tendo colaborado em tempos com a CAP, sabia do que estava a falar), acreditou no Primeiro Ministro, e, com muito mais verve   que o polemista de serviço (Augusto Santos Silva) tentou que o deixassem responder às oposições.

Teve de voltar a Bruxelas e foi aí perseguido pelo CDS, o qual, pelo que li, conseguiu bloquear a sua nomeação para chefe do gabinete de um comissário europeu.

Mesmo estrangeirados, só podem ir para ministros com segurança se tiverem possibilidade de recuo para o outro lado do Atlântico ou pelo menos para o outro lado do Canal da Mancha.

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Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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