Almerindo Marques

Tenho a agradecer ao Dr. Almerindo Marques a pronta resposta a um pedido de documentos (Relatório e Contas de 2005, Balanço Social de 2005) que dirigi às Estradas de Portugal para efeitos de um trabalho académico. Resposta que veio com a sua assinatura. Foi o único contacto que tive com ele, embora em 2008 e 2009 tenha tido ocasião de me relacionar brevemente com quadros da empresa e da tutela. 

Almerindo Marques tem ocupado variadíssimos cargos de gestão, incluindo, há muito tempo, um cargo governativo no Ministério da Educação, tanto no sector público como no sector privado, em ramos de actividade muito diferente. É inquestionavelmente um gestor , um gestor que sabe definir objectivos e obter resultados.

Admito que a experiência de gestão nas Estradas de Portugal tenha sido das mais complexas. O modelo adoptado para a empresa levanta problemas difíceis do ponto de vista da Economia. Não me parece que a Contribuição de Segurança Rodoviária possa ser assimilada a um preço. Em todo o caso, não a um preço formado no mercado e a um preço económicamente eficiente. As Estradas de Portugal nunca poderão ser uma empresa como as outras.

O relacionamento com o Estado, sobretudo com a área das Finanças, não depende necessariamente do bom relacionamento com os titulares de cargos governativos. A Administração Fiscal tem aqui uma autonomia técnica imprescindível, o enquadramento fiscal das operações não é pacífico e a comunicação social acabou por se fazer eco do litígio.

A transformação de concessões do Estado em subconcessões e o lançamento  dos novos empreendimentos gerou problemas financeiros delicados.

Acredito que Almerindo Marques tenha decidido sair por considerar feito o essencial do seu trabalho, e não por qualquer desgaste decorrente dos problemas enfrentados.

Pensei que, atendendo à fase da sua carreira profissional e à idade atingida, se fosse dedicar essencialmente a actividades de consultoria. Vendo na comunicação social que vai gerir uma empresa de um dos Grupos com que teve de negociar enquanto esteve nas Estradas de Portugal não me passa pela cabeça que haja aqui qualquer pagamento de favores. No entanto, trata-se de uma situação que seria melhor ter sido  evitada, tanto mais que o seu protagonista já mostrou estar à vontade em qualquer sector e ramo de actividade.

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Sobre ivogoncalves

65 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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