Salário máximo nacional ?

Num dos últimos números do Expresso, a Secção “Gente” ironizava sobre um projecto de lei que o PCP teria apresentado a um dos Governos Provisórios instituindo o salário máximo nacional e que, obviamente, não teria sido aprovado.

A “Gente” não se apercebeu de que a Constituição aprovada em 1976 previa efectivamente a definição de um salário máximo nacional, no artigo 54º, só tendo a referência sido eliminada em  1982.

Depois do debate dos últimos anos sobre os gestores que contribuiram para afundar o sistema financeiro e alguns grandes grupos, na ânsia de maximizar resultados a curto prazo  com reflexos na sua remuneração variável, ou, o que ainda é pior, de os simular através do falseamento das contas, gerou-se uma predisposição para enquadrar de outra forma este tipo de remunerações.

Também os empresários e gestores que defendem uma maior responsabilidade social das empresas trouxeram a sua contribuição para o debate.

Lembremo-nos no entanto de dois aspectos:

– por um lado, nem todos os rendimentos chegam aos destinatários sob a forma de salários;

– por outro lado, a prática de remunerações elevadas para os gestores  permite que acalentem a esperança de se tornar empresários, o que é um factor de motivação muito poderoso, e temos por aí casos de MBO bem sucedidos.

Quanto aos gestores públicos e às propostas de limitação em função do vencimento do  Presidente da República:

– uma grande parte das entidades públicas empresariais e até sociedades anónimas que andam por aí resulta da autonomização de organismos da Administração Pública em nome da flexibilidade de gestão – nesses casos, nas estruturas de missão, nas estruturas de projecto, o que faz sentido é remunerar ao nível de director-geral e subdirector geral;

– nos casos de verdadeiras empresas, o limite do vencimento do Presidente da República não faz sentido.

Sem desmerecer do actual e dos anteriores titulares do cargo, não os vejo a fazer  na TAP aquilo que Fernando Pinto e a sua equipa têm conseguido realizar.

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Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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2 respostas a Salário máximo nacional ?

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  2. Miguel Ferreira diz:

    Juntar um salário máximo a um salário mínimo é uma coisa má porque o gestor de uma grande empresa ficaria desmotivado?

    E a motivação que um salário máximo daria a um operário que o tentaria atingir?

    Para mim, a motivação que um gestor tem que ter para chegar ao topo é inversamente proporcional á motivação dia-á-dia de um operário para simplesmente, sobreviver.

    Nesse caso, que se foda o gestor… Porque por cada gestor há milhares de operários, e são todos igualmente importantes

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