Investimentos públicos e parcerias público-privadas: porquê a recusa do nome de João Ferreira do Amaral ?

  Vem em vários jornais, soube pelo Expresso, transcrevo do on line do DN  

O Governo não aceita nem o seu ex-MNE, Freitas do Amaral, nem o assessor de Jorge Sampaio, João Ferreira do Amaral.

O Governo vetou o nome de Diogo Freitas do Amaral, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do primeiro executivo de José Sócrates, para presidir ao órgão que vai avaliar as grandes obras públicas e as parcerias público-privadas (PPP).

Ao que apurou o DN, também a sugestão feita, igualmente pelo PSD, de João Ferreira do Amaral – um economista que foi conselheiro de Jorge Sampaio em Belém e que colaborou no programa da primeira legislatura de Sócrates – foi recusado pelo Executivo.

Neste momento, as negociações entre o Governo, representado pelo secretário de Estado do Tesouro, Carlos Costa Pina, e Diogo Leite Campos, vice-presidente do PSD, estão num impasse. Já ontem, em entrevista ao DN e à TSF, a vice do PSD, Paula Teixeira da Cruz, dizia que o Governo não estava “ainda” a cumprir o acordo do Orçamento.

Os sociais-democratas querem, designadamente, que o Executivo “explique” o que os leva a recusarem estes dois nomes que, além do seu prestigio técnico, tiveram laços de colaboração com o PS ao longo dos últimos anos.”

Nas parcerias público-privadas e nos investimentos públicos ninguém fica nem totalmente bem nem totalmente mal na fotografia: foram lançadas inicialmente sobretudo em governos PSD mas foi Manuela Ferreira Leite que promoveu a publicação de um diploma disciplinador, dirigentes da área do PS protagonizaram uma tentativa de controlo do caso Amadora Sintra acabando por ficar apanhados entre fogos contrários, todavia o PS lançou por sua conta muitas outras parcerias , começando com as SCUTs de Guterres (numa estratégia ousada de João Cravinho que, acredito, se tivesse continuado em funções, havia de ter sabido controlar os custos) e acabando  nas  polémicas auto-estradas das eleições de 2009 e no TGV.  Têm portanto todo o interesse em definir em comum uma metodologia que evite novos “casos”.

Conheci João Ferreira do Amaral enquanto responsável do núcleo de modelos do Departamento Central de Planeamento que elaborou vários modelos macroeconómicos que estiveram subjacentes a Planos anuais e de médio prazo. Conheci-o melhor quando foi Director-Geral do Departamento, em 1985. Segui o seu percurso académico, economista matemático de grande gabarito. Sei que foi consultor da Presidência nos tempos de Mário Soares e Jorge Sampaio.  Desconhecia a colaboração com o primeiro Governo de José Sócrates. Diria que era a melhor escolha possível para este lugar: firme defensor do investimento público, mas muito conhecedor das restrições macroeconómicas.

Conheço também Carlos Costa Pina. Sério, muito bem preparado, determinado. O veto foi exclusivamente dele ? Foi de Teixeira dos Santos ? Do próprio José Sócrates ?

João Ferreira do Amaral foi e é um crítico da integração no euro, que nos deixou sem instrumentos de política macroeconómica, tem alías brilhado nalguns debates recentes sobre o tema. Foi relator do muito crítico parecer do Conselho Económico e Social sobre o OE para 2011. Fizeram-lhe a “ficha” ? Lamentável.

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Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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