A Torre do PISA e o túnel sob o Tejo

Desde que sairam os últimos resultados do PISA toda a gente tenta subir à Torre. Acima de todos, José Sócrates (“fomos nós !”). Ainda hoje, Vital Moreira (“foi Maria de Lurdes Rodrigues !”). Há dias, Mário Nogueira (“foram os professores !”)  o que só lhe fica bem, a ele que, tanto quanto julgo saber, já não educa criancinhas, mas tem educado, ou tentado educar, dezenas de milhares de professores. Com tanta gente a subir à Torre do PISA, ela já está a inclinar-se…esperemos que não venha abaixo.
 
Li apenas uma tímida referência a que os resultados se deveriam antes relacionar com o grande alargamento da educação pré-escolar desencadeado sob o Governo de António Guterres, atingindo uma geração que chegou agora aos testes do PISA. E seria justo, nos últimos anos do ciclo de Cavaco Silva, realçar o papel de Joaquim de Azevedo, Secretário de Estado, Maria Helena Valente Rosa, Directora do DEB, e Isabel Oliveira, coordenadora do Núcleo de Educação Pré-Escolar, na abertura de perspectivas
 
O arquitecto José Tudela que, sempre que se anuncia uma grande obra pública, escreve artigos para os jornais propondo variantes ou complementos mais económicos e imaginativos, defendeu mais do que uma vez  que se fizessem túneis para as várias travessias do Tejo, em vez de pontes. Com larga cópia de argumentos, explicou  que os túneis seriam  mais baratos e menos agressivos da paisagem. Mas que os políticos gostam de ver os seus nomes ligados a obras, literalmente, muito visíveis.
 
Talvez  esteja a suceder o mesmo com os resultados do PISA. Vieram de um esforço de há dez anos, mas, como ninguém vê o túnel que ligou o passado e o presente, ninguém lhe dá o devido valor.      
 
A não ser que a desconfiança metódica que Pedro Lomba exprimiu hoje no Público nos leve a outras conclusões. 

Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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3 respostas a A Torre do PISA e o túnel sob o Tejo

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  3. Luís Atalaia diz:

    Os professores sabem que os resultados positivos que foram apresentados são estranhos. A bota não bate com a perdigota. Já houve colegas que apresentaram, aqui neste forum, que as amostras estariam viciadas: a selecção de alunos para amostra teve tudo menos de aleatória. Esses colegas convidaram sem sucesso a comunicação social a analisar as amostras nas suas escolas. Parece que sem sucesso. A nossa classe jornalística está mais interessada no diz-se que se disse e não disse. É pena pois considero esta classe fundamental para o funcionamento da democracia e do estado de direito.
    Comecei este post da maneira que comecei para valorizar a importante colaboração que os colegas referidos deram neste fórum. No entanto, o meu intuito é acrescentar um novo elemento para a análise que se tem estado a fazer. Esse novo elemento (sem desmérito dos anteriores) chama-se cursos profissionais.
    Sabemos que o aumento dos cursos profissionais se faz, essencialmente, à custa de uma população estudantil que estava enquadrada nos cursos regulares e que apresentava resultados menos satisfatórios. Ora, o aumento de turmas nos cursos profissionais foi nos últimos anos muito grande. Esse aumento tem, com certeza, reflexos nos resultados da aprendizagem dos cursos regulares, mitigando aquilo que nós conhecemos que é o decréscimo das aprendizagens dos alunos, fruto de políticas profundamente erradas na educação. Apresento o quadro do aumento dos cursos profissionais (é pena faltar-me o ano 2009-10):
    Ano de 2004-05, Nº total de alunos 36765
    Ano de 2005-06, Nº total de alunos 36942
    Ano de 2006-07, Nº total de alunos 47709
    Ano de 2007-08, Nº total de alunos 62996
    Ano de 2008-09, Nº total de alunos 90988

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