Análise ABC

A Análise ABC é uma metodologia que visa dar maior atenção aos factos com expressão mais significativa.

Um pouco de wikipédia ajudará

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Curva_ABC

Utiliza-se em gestão de stocks, em gestão de clientes, e em muitas outras áreas, designadamente em auditoria e fiscalização.

A Inspecção Tributária da DGCI utiliza-a para seleccionar alvos na  fiscalização do contribuinte, a Inspecção-Geral de Finanças utilizou-a na auditoria às prescrições de dívidas fiscais a que se refere o post anterior para seleccionar a amostra com que trabalhou – 126 processos que representam cerca de metade da dívida prescrita nos serviços locais de finanças inspeccionados.

https://ivogoncalves.wordpress.com/2010/09/07/mais-85-mil-milhoes-de-euros-pelo-cano-abaixo/

A notícia não diz se os serviços locais de finanças utilizam  a Análise ABC para seleccionarem os alvos da recuperação de créditos, isto é se avançam em primeiro lugar para cobrar as maiores dívidas. Se,  “democraticamente” , tratam todos os processos por igual, independentemente do montante da dívida, optam pelo “small is beautiful”  ou inclusive  avançam em função da ordem de entrada / abertura do processo,  poderemos ter aqui uma das causas do elevadíssimo valor das prescrições.

A Análise ABC é importante e de modo geral é abordada no ensino ministrado pelas Escolas de Gestão.

No entanto, há que ter algumas cautelas.

Há uns anos um instituto público envolveu-se numa   parceria  com algumas empresas  a caminho da insolvência, pertencentes a  um sector emblemático de uma  região politicamente sensivel, e com uma associação empresarial em situação pouco melhor do que as associadas. Optou-se, por recomendação de consultores, pela forma jurídica de agrupamento complementar de empresas e arranjou-se um político local para presidir.

O dito instituto dispunha ele próprio de um estatuto quase empresarial, utilizando sucessivamente o POC e o POCP, com direito a Revisor Oficial de Contas, aliás Sociedade de Revisores Oficiais de Contas.

 A  participação na nova entidade nunca foi, pelo que me é dado perceber, objecto de especial atenção por parte do Revisor, dado possivelmente a sua fraca expressão no balanço do instituto e os ditames da análise ABC.  Apesar de o passivo da participada crescer desmesuradamente, a contabilidade do instituto nada relevava.

Dá-se o estoiro e o nosso instituto é chamado, inclusive judicialmente, a responder pelas dívidas da participada. De facto, nem a sua administração nem o revisor de contas se tinham ao que parece apercebido de que, no caso dos agrupamentos complementares de empresas e dos consórcios, tal como no das hoje muito raras sociedades “em nome colectivo”, a lei impõe que os participantes no capital respondam solidariamente pelas dividas da entidade.

Um bom exemplo de como  as técnicas de gestão têm de ser aplicadas com cuidado, e de como, logo nos  bancos da escola, é conveniente ensinar integradamente Gestão, Contabilidade e Direito da Empresa.

Será este aspecto um daqueles “que não se aprendem nas Escolas de Gestão” ?

Talvez. 

Ironicamente o nosso Revisor de Contas tem sido / é Professor e Formador em várias delas.

Públicas e privadas.

Sobre ivogoncalves

64 anos Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, Mestre em Administração e Políticas Públicas pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Doutor em Sociologia, especialidade de Sociologia Política, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Detém Diploma de Estudos Avançados (3º Ciclo) em História Moderna e Contemporânea da mesma instituição. Domínios de actividade profissional: Gestão Orçamental Pública, Auditoria e Fiscalização, Recuperação de Empresas como dirigente, técnico ou consultor e formador. Outros domínios de interesse: Sistemas de Informação. Docente do ensino superior de Setembro de 1976 a Maio de 1985 no Instituto Superior de Economia, e de Outubro de 1985 a Julho de 2010 no Instituto Superior de Gestão (integrado actualmente no Grupo Lusófona). Membro nº 15 da Ordem dos Economistas. Pertence ao Colégio de Economia Política e ao Colégio de Auditoria. Membro nº 1385 do Instituto Português de Auditoria Interna. Sócio nº 20831 da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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