O II Congresso do SNESup, 2002, Coimbra

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O tempo da  candidatura de ruptura à Direcção liderada por Luís Belchior em 2001 foi  também o tempo de todas as inovações. Ruptura relativa pois que se mantiveram três membros da anterior Direcção (Luís Belchior, Amélia Loja, Nuno Ivo Gonçalves), só que, não tendo o anterior presidente Pedro Abreu conseguido apresentar lista, tentou não obstante impedir judicialmente a tomada de posse da lista eleita. Inovações em que foram plenamente utilizados os mecanismos estatutários de participação que se mantinham congelados desde o tempo do I Congresso; eleição / substituição em plenário de Direcção dos cargos de coordenação e da comissão permanente desta,   desconcentração regional com abertura da sede do Porto e nomeação de delegados regionais, convocação de assembleias gerais deliberativas, primado do Conselho Nacional como órgão deliberativo entre Assembleias Gerais, aprovação pelo Conselho Nacional da realização de um Congresso realizado simbolicamente em Coimbra com base em delegados eleitos ao abrigo do Regulamento aprovado.

A deliberação do Conselho Nacional que convocou o Congresso e aprovou o seu regulamento foi adoptada em Maio de 2002, seis meses antes do Congresso que se realizou em Novembro:

http://www.snesup.pt/cgi-bin/artigo.pl?id=EEZuFuVEEAqwrlHVQy

Note-se que foi recusada que a Comissão Organizadora e os dirigentes do SNESup tivessem  voto por inerência, apesar da possibilidade criada na revisão de Estatutos realizada 10 anos antes.

Os trabalhos, cujo relato geral transcrevo  infra abrangeram

- a discussão em plenário, com votações reservadas aos delegados eleitos, de propostas de revisão de Estatutos a apresentar a Assembleia Geral;

- o tratamento em secções dos temas “Organização e financiamento do ensino superior. Modelos de gestão das instituições” e a “Componente pedagógica e científica do trabalho docente. Sua avaliação”;

- uma intervenção de António Garcia Pereira sobre o Código de Trabalho então em discussão e em relação ao qual  na altura Ministro Bagão Félix nos tranquilizava, porque se não iria a aplicar à função pública…

Este II Congresso do SNESup, que permitiu alargar o núcleo de participantes na vida  do sindicato  – muitos dos congressistas entraram na Direcção seguinte – teve contudo uma escassa participação dos associados na  eleição dos delegados, que ocorreu aliás num número reduzido de círculos.

Quanto à Revisão dos Estatutos, cuja necessidade tinha aliás sido desdramatizada pela Direcção, viria a obter uma adesão muito próxima dos 100 % na Assembleia Geral realizada no ano seguinte mas sem alcançar o quorum necessário à validação da deliberação.

Ficámos assim limitados quanto à representação de investigadores em que o Congresso votara o alargamento a institutos de investigação não englobados no ensino superior:

“O Sindicato abrange os docentes e investigadores que exercem a sua actividade profissional em instituições de ensino superior, bem como os investigadores que exerçam a sua actividade a nível superior em institutos de investigação científica oficialmente reconhecidos.”

A  recente evolução no  Sistema Científico Nacional  permite perceber  o quanto esta limitação teve consequências negativas.

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Na Ensino  Superior – Revista do SNESup nº 7, pode ler-se

“SNESup realiza II Congresso

Conforme havíamos anunciado teve lugar em Coimbra, em 22 e 23 de Novembro, nas instalações da Faculdade de Economia, o II Congresso do SNESup, que reuniu delegados de numerosas secções sindicais, eleitos especialmente para o efeito, e outros associados que enquanto tal, e nos termos do Regulamento divulgado no n.º 4 de Ensino Superior – Revista do SNESup, intervieram na apresentação de propostas e na sua discussão. Na Comissão Organizadora estiveram Paulo Peixoto (FEUC), Luís Moutinho (ISCS-Norte), Luís Belchior (FCUP), António Pais de Sá (ESA – Coimbra) e Fernando Gaspar (ESG – Santarém).

O Congresso foi inaugurado no dia 22 (sexta-feira) pelas catorze horas e trinta minutos, por Teresa Almeida, Presidente do Conselho Nacional do SNESup durante vários mandatos e delegada ao Congresso pela Secção Sindical da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL. Na mesa estiveram também Luís Moutinho, actual Presidente da Direcção e Luís Belchior, Presidente da Direcção durante a primeira parte do mandato desta, ambos também delegados ao Congresso. Foi apresentada durante a sessão de abertura uma comunicação de António Pedro Dores (ISCTE), baseada na sua “Proposta de estratégia sindical a médio e longo prazo”, que reproduzimos na Secção “Contributos dos Leitores”.

A discussão da revisão ordinária dos Estatutos desdobrou-se por duas sessões plenárias, uma realizada na própria tarde de sexta-feira, outra na tarde de sábado. Este desdobramento, inicialmente não previsto na programação do Congresso, deveu-se ao facto de a discussão e votação dos estatutos na especialidade ter suscitado um debate intenso por parte dos congressistas. O texto base apresentado pela Direcção sofreu diversas modificações. Em Congresso surgiram e foram votadas novas propostas, além das inicialmente apresentadas. Participaram nas mesas Teresa Almeida, Fernando Gaspar, Luís Moutinho e Paulo Peixoto. Sendo certamente injusto não referir todos os nomes dos que intervieram na discussão, gostaríamos mesmo assim de destacar, na procura de uma redacção adequada para a disposição estatutária que permite a filiação de investigadores, de Joaquim José Sainhas de Oliveira, Conselheiro Nacional eleito pela Faculdade de Motricidade Humana, Paula Abreu, Conselheira Nacional e delegada ao Congresso eleita pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e de Luís Moniz Pereira, Conselheiro Nacional e delegado ao Congresso eleito pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, autor da fórmula adoptada: “O Sindicato abrange os docentes e investigadores que exercem a sua actividade profissional em instituições de ensino superior, bem como os investigadores que exerçam a sua actividade a nível superior em institutos de investigação científica oficialmente reconhecidos.”

No sábado de manhã funcionaram as secções relativas à “Organização e financiamento do ensino superior. Modelos de gestão das instituições” e a “Componente pedagógica e científica do trabalho docente. Sua avaliação”.

Na primeira secção tomaram lugar na mesa Adriano Brandão, actual Presidente do Conselho Nacional e delegado ao Congresso, Luís Moniz Pereira e Luís Belchior. Nesta secção foi apresentado por Luís Belchior um texto base construído no sentido de levantar questões e promover o debate. Luís Moniz Pereira defendeu a necessidade de introduzir um sistema de avaliação de desempenho como forma de diferenciação pela positiva, nomeadamente na existência de compensações financeiras como forma de ferramenta de gestão. Propôs ainda, em termos de financiamento das instituições de ensino superior, um sistema de financiamento baseado numa lógica plurianual, segmentado num financiamento base e num financiamento programático negociado caso a caso. Adriano Brandão relatou a carência e forma de actuação e gestão a nível do ensino superior particular e cooperativo, nomeadamente a eliminação gradual e sistemática dos docentes nos actos de gestão, para além de se verificar uma situação escandalosa de docentes contratados de forma precária e em regime de prestação de serviços. Luís Moniz Pereira defendeu que actualmente a alteração necessária a uma modernização das instituições de ensino superior terá de vir de fora, contrapondo a posição anterior. Carlos Ceia, membro da Direcção e delegado ao Congresso pela Secção Sindical da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, defendeu a existência de capacidade nas instituições citando o exemplo da sua própria instituição.

Na segunda secção a mesa foi integrada por Carlos Ceia, Fernando Gaspar e António Pais de Sá. As intervenções e o debate centraram-se na problemática da avaliação objectiva do desempenho pedagógico, competência científica versus competência pedagógica e sua interligação. Foi ainda debatida a problemática dos actuais modelos de avaliação e auto-avaliação, tendo sido, nomeadamente, apontadas algumas deficiências, inconsequências e inutilidade em termos práticos. Carlos Ceia referiu-se, nomeadamente, aos critérios recentemente estabelecidos para nortear a avaliação das instituições de ensino superior e para a necessidade de se proceder a uma clarificação dos mesmos, de modo a permitir que as avaliações sejam utilizadas pelas instituições como diagnóstico que potencie intervenções que consignem melhorias de facto.

A aguardada intervenção de António Garcia Pereira sobre o Código de Trabalho apenas teve lugar ao fim da tarde, visto ter-se prolongado a discussão da revisão dos estatutos. Escutada com muita atenção, suscitou numerosas perguntas e respostas, e foi aplaudida a final. Apesar do adiantado da hora, apesar de muitos congressistas terem de fazer percursos demorados para regressarem finalmente a suas casas, ninguém saiu. Professor do Instituto Superior de Economia e Gestão, advogado, dirigente do SNESup de 1999 a 2001, Garcia Pereira tem estado presente em momentos decisivos da vida do Sindicato. Aqui agradecemos uma vez mais a sua participação e, podemos dizê-lo com segurança em relação a esta matéria do Código do Trabalho, a inspiração.

Na sessão de encerramento, que teve lugar já próximo das vinte horas, foram aprovadas por unanimidade duas moções, que reproduzimos no presente número de Ensino Superior – Revista do SNESup.

 

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Reeditar Rocha Martins

Rocha Martins, escritor, jornalista, autodidacta, sócio da Academia das Ciências, monárquico liberal activo durante a I República, deputado durante o Sidonismo, antisalazarista, é autor de larga obra publicada, que só muito recentemente começou a ser reeditada.

http://arepublicano.blogspot.pt/2013/06/rocha-martins-contra-o-poder-escrever.html

http://pedroalmeidavieira.com/indexbh.asp?p/785/1089//R/1723/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Jos%C3%A9_da_Rocha_Martins

Adquiri recentemente   Sidónio Pais, Ídolo e Mártir da República, que se lê com muito interesse, mas só recentemente descobri no site da Bonecos Rebeldes  que esta também havia editado o Regicídio (que vai em segunda edição), Pimenta de Castro, Ditador Democrático, e A Monarquia do Norte, I e II.

http://www.bonecosrebeldes.com/itens_main.php?page=2&fam=275&cat=all

Tendo também escrito  sobre Bocage, foi Rocha Martins, segundo se lê em O Cinema sob o Olhar de Salazar,  Círculo de Leitores, 2001, consultor de Leitão de Barros no Bocage assinado por este (1936).

Parece estar esquecida uma importante trilogia do autor, publicada, não por acaso, durante a segunda guerra mundial:

Integram  esta trilogia:

- O Bichinho de Conta, Editorial Inquérito, Lisboa, 1942 (uma obra com este  título fora já publicada em 1928, conforme se vê nos trabalhos para os quais coloquei link, mas na edição de 1942 não há  referência a esta circunstância)

- Batalha de Sombras, Editorial Inquérito, Lisboa, 1943;

- Coração Português,  Editorial Inquérito, Lisboa, 1946.

O Bichinho de Conta passa-se na época da perseguição aos Távoras e suas relações, durante a qual o Marquês de Pombal terá procurado impor o casamento com um filho seu a uma jovem, Isabel Juliana, que estava comprometida com o filho de um dos perseguidos.  Batalha de Sombras  põe em cena a geração seguinte na ocasião da embaixada de Lannes, com Pina Manique a combater a influência das ideias francesas. Coração  Português , com alguns personagens dos dois livros anteriores, decorre em Lisboa, no tempo da ocupação de Junot, com algumas montarias nocturnas a  franceses isolados e ecos do desassossego das províncias, sobretudo a partir do levantamento do General Sepúlveda em Bragança.

A versão portuguesa da  tese de doutoramento de Teresa Caillaux de Almeida, radicada em França,   Memória das ‘Invasões Francesas’ em Portugal (1807-1811), Ésquilo, 2010,  omite estas duas obras no quadro da página 126 dedicado aos romances históricos inspirados pelas invasões, o que tem de ser imputado à falta de reedições e à ainda relativa debilidade da historiografia relativa ao Século XX.

Sobre a sua motivação para escrever este último livro, diz Rocha Martins:

“Coração Português” tem, como os romances seus predecessores, uma história que passo a narrar. No período em que a Europa sofria a terrível invasão dos bárbaros exércitos germânicos, pretendi descrever, através da enorme publicidade de um grande jornal – o “Diário de Notícias” – a dolorosa existência da nossa pátria, a que fôra, outrora, quando vi calcadas as pátrias alheias.

Foi esse o meu formal propósito, sobretudo depois de ter começado a propagar-se, em certos meios, até intelectuais, que uma nação vencida, como a França estava, visto ter-se submetido e perdido a guerra, não tinha direito a revoltar-se e, por consequência, eram muito bem e justamente fuzilados os patriotas.

Tão grande dislate, protérvia ou infâmia, originou o romance que se vai ler. Não sei se consegui o meu fim; conservo, porém, sinceramente, a intenção que me animou a escrevê-lo. O leitor perdoará se errei ou não consegui convencê-lo de que o direito de rebelião é nobre e justo sob os vexames, os abusos, as tiranias.

Evoquei a minha pátria ao sentir vilipendiadas as pátrias alheias, e sofri com elas e assim devem ter padecido os meus humildes avós, nas horas terríveis da invasão que encarei, de forma perturbada e agitada, enquanto rugia o cataclismo que devastava o mundo.”

 A Editorial Inquérito ainda existe, mas não tem reeditado estes livros, e no seu stand na última Feira do Livro nem sequer havia memória do autor. E contudo até se conseguiria construir com base nestas obras uma ou mais séries televisivas.

Nos últimos anos abri várias vezes Coração Português na página onde se lê este diálogo

“- A terra é nossa; quem a pisa pela fôrça…

- Ficará bem aconchegadinho nos seus torrões.”

Infelizmente, desta vez, fomos nós que  convidámos a pisá-la.

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Redução do número de deputados a 62 : uma proposta de 1923

Ezequiel de Campos e Quirino de Jesus no seu trabalho “A Crise Portuguesa” publicado em 1923 (Ver Ezequiel de Campos, Textos de Economia e Política Industrial Portuguesa 1918-1944, introdução de Fernando Rosas,  Banco de Portugal, 1988, p. 99) propõem um “legislativo menos numeroso, que é o mesmo dizer mais barato  e de muito melhor trabalho” . Nada de novo debaixo do Sol.

Distribuição por distritos da Metrópole: Viana do Castelo, 3; Braga, 4; Porto, 9; Vila Real , 3; Bragança ,1 ; Aveiro, 4; Coimbra, 3; Viseu, 4; Guarda, 2; Castelo Branco, 2; Leiria, 2; Santarém, 3; Lisboa, 14; Portalegre, 1; Évora, 2; Beja, 1; Faro, 2. Total da Metrópole: 60 – Açores e Madeira não eram Metrópole, ficariam cada um com 1, Total 62.  (Omito aqui os 8 deputados das colónias, 1 por cada colónia).

Os autores andavam na altura a fornecer a ideias à  Seara Nova e a outras instâncias reformistas. Mais tarde aderiram ambos ao Estado Novo e à União Nacional, tendo o número de deputados sido, entre 1934 e 1945, fixado em  90, em círculo nacional (Ver J.M Tavares Castilho, Os Deputados à Assembleia Nacional (1935-1974), Assembleia da República e Texto Editores, 2009).

A história ficaria por aqui não fora o critério explicitado pelos autores:  “Para a nossa população de maior idade que sabe ler e escrever corresponde a um deputado por 10.000 pessoas”.  Hoje seriam 700 ou 800 deputados. Dá que pensar.

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Pires de Lima: fala-se de Reforma Administrativa desde 1951

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“Desde 1951 que se anda a falar de reforma administrativa, sem que se vejam resultados correspondentes à expectativa criada

António Pedrosa Pires de Lima, 30 de Novembro de 1966.

(Acta-Resumo nº 21 da reunião plenária do Grupo de Trabalho nº 14 – “Reforma Administrativa” da Comissão Interministerial de Planeamento e Integração Económica).

Durante mais 20 anos continuou a falar-se de “Reforma  Administrativa”, depois, nos 10 anos de Cavaco e Isabel Corte-Real, de “Modernização Administrativa”, com Guterres II e Alberto Martins de “Reforma do Estado e da Administração Pública”, com Durão Barroso de “Reforma da Administração Pública”, com Sócrates I de “Modernização da Administração Pública” .

Enfim, rótulos de “marketing político” que esgotaram as palavras, a ponto de o actual Governo, do qual  o neto da personalidade citada, ou seja,  António Pires de Lima,  faz parte, só ter encontrado ainda disponível “Reforma do Estado”, denominação  prometedora mas que, por mais espremida que seja, até agora deitou muito pouco sumo.

Sobre a ínclita família Pires de Lima

http://www.dn.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=1262073

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O I Congresso do SNESup, 1992, Lisboa

Notas a propósito dos 25 anos do SNESup.

O Sindicato Nacional do Ensino Superior (associação sindical de docentes e investigadores), constituído em 1989 mediante deliberação de assembleia  descentralizada procurou desde o início combinar lógicas de organização sindical típicas de vários modelos. Neste contexto o seu órgão máximo é a Assembleia Geral de associados descentralizada e a sua Direcção é eleita por sistema maioritário de duas voltas mas existe a possibilidade de convocar Congressos – cuja realização é obrigatória para rever os Estatutos – e o Conselho Nacional e a Comissão de Fiscalização e Disciplina são eleitos proporcionalmente pelo método de Hondt.

Na Ensino  Superior – Revista do SNESup nº 7, de Novembro – Dezembro de 2002 o I Congresso, que reuniu  delegados eleitos especialmente para o efeito, foi recordado  nestes termos:

Há dez anos, o I Congresso

Em 5, 6 e 7 de Junho de 1992, realizava-se em Lisboa o I Congresso do SNEsup. Por coincidência, numa outra Faculdade de Economia, a da UNL, na qual o Sindicato não tinha na altura, e não tem ainda, ao contrário do que sucede na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, uma Secção Sindical activa.

Constituído em 13 e 14 de Novembro de 1989 numa Assembleia Constituinte descentralizada por 22 secções de voto em que votaram 1805 docentes e investigadores, o SNESup procurava no I Congresso, para além de realizar uma primeira revisão ordinária de Estatutos, que veio a ser ratificada mais tarde em Assembleia Geral, definir de forma mais precisa o seu caminho, tendo votado um documento intitulado ” Princípios orientadores da acção sindical” em que ainda hoje nos revemos. A Comissão Permanente da Direcção e os delegados do ISEL apresentaram moções, apontando a destes últimos para um dia de greve nacional no ensino superior. As preocupações em ambas as moções centravam-se na questão remuneratória, e também, na não audição do SNEsup em processos negociais.

 O nosso antigo SNESup Informação dos primórdios da vida do Sindicato publicava uma fotografia a preto e branco em que aparecia em primeiro plano a colega Maria Luís, então Presidente do Conselho Nacional do Sindicato.

http://www.snesup.pt/htmls/_dlds/snesup_informacao_junho_1992_06.pdf

 

22 anos depois do I Congresso a Faculdade de Economia da UNL continua sindicalmente inexistente, sendo que  as outras Faculdades e Institutos de Lisboa, que lançaram o SNESup, se vão esvaziando  gradualmente de associados para a aposentação e prescindem de eleger representantes sindicais.

Os Estatutos revistos, ratificados por uma Assembleia Geral que recebeu votos por  correspondência durante vários meses, lá entraram  em vigor.

O que não tem sido muito dito  é que a maioria da primeira Direcção eleita do SNESup parecia considerar  os Estatutos votados na Assembleia Constituinte excessivamente abertos e democráticos, o que se reflectiu nas propostas formuladas e aprovadas:

- os Relatórios e Contas deixaram de ser votados pelos sócios em Assembleia Geral, para, tal como sucedeu aliás em diversos sindicatos da CGTP, passarem a sê-lo pelos delegados sindicais;

- reduziram-se os direitos de acesso à informação por parte dos sócios;

- deixaram de se eleger estruturas de coordenação a nível de Universidade e Politécnico, favorecendo-se o ensimesmamento das comissões sindicais de Escola, quando a implantação assimétrica era na generalidade dos casos, e continua a ser, um facto;

- criaram-se  lugares de delegados regionais nomeados pela Direcção, figura que só a Direcção Luís Belchior, nove anos depois, começou efectivamente a implementar;

- a Direcção de 15 efectivos (incluindo 12 secretários nacionais executivos) e 10 suplentes sonhada por Mário Leston Bandeira foi substituída por uma Direcção com 9 efectivos e 16 suplentes;

- revogou-se a renúncia à definição de um Regime Disciplinar ínsita  nos Estatutos aprovados na Constituinte, com o argumento de que prejudicava a imagem do Sindicato (o Regime só foi votado em anos recentes e nunca foi utilizado).

Chegou mesmo a pensar-se em criar um único círculo eleitoral para a eleição de representantes de sócios das privadas no Conselho Nacional para obviar ao risco de estes sócios tomarem conta do Sindicato…

O I Congresso, visto na altura como um passo na construção do SNESup foi também assim, sem na altura se reparar muito, o Congresso do Fechamento  consagrando uma “vanguarda” que detinha a legitimidade da luta de 1989  mas cuja agilidade e coesão se foram no entanto imperceptivelmente deteriorando.

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“O Cérebro da Política”, uma conferência de Joana Amaral Dias

Na passada  6 ª feira, 10 de Outubro, no ISCTE-IUL, Joana Amaral Dias fez uma conferência no   âmbito do Programa Doutoral em  Ciência Política que esteve  aberta também a estudantes de mestrado e de licenciatura bem como a qualquer interessado. Sala cheia, uma hora para a apresentação, uma hora para colocação de questões, tempos muito reduzidos para o tratamento dos temas abordados, quando André Freire conta com tantos alunos brilhantes.

Das muitas pistas para reflexão lançadas por Joana Amaral Dias, retenho, com riscos de trair a conferencista neste resumo, a alegada aceitação implícita, por toda a esquerda, da qualificação do processo vivido nos últimos anos como de “austeridade”, “resgate”, “ajuda externa” que envolveriam a ideia de “necessidade” e de “inevitabilidade” .

A referência a “austeridade” fez-me sorrir, uma vez que no lançamento da sua colectânea de artigos “Austeridade, Democracia e Autoritarismo” já André Freire havia sentido a necessidade de justificar o título, e que eu próprio já tinha reagido aqui à utilização do termo.

http://ivogoncalves.wordpress.com/2011/11/21/empobrecer-sim-mas-devagar/

Não deixei na altura de assinalar que o próprio Passos Coelho, que já tinha anunciado querer  ir para além da troika, preferiu falar de “empobrecimento”. Possivelmente uma forma de construir a imagem de um político que fala verdade aos portugueses.

Sem me pretender qualificar eu próprio em Psicologia Política, deixo aqui a ideia de que “empobrecimento” não suscitou a reacção de revolta que seria de esperar porque os destinatários PROCURARAM NÃO TOMAR CONHECIMENTO da mensagem implícita, preferindo “austeridade” por  estar associada às  ideias de “transitoriedade” e de “reversibilidade”, correspondentes aliás a experiências históricas mais recentes, como a do recurso ao FMI em 1983.

Para os tirar desse torpor, foi preciso a proposta de alteração das taxas da TSU, transferindo directamente dinheiro dos bolsos dos empregados para os dos seus patrões, medida que nem estes, pelo menos abertamente, reivindicavam. Por esses dias  a direita portuguesa voltou a ser “a mais estúpida da Europa”, como se dizia no primeiro decénio da democracia (ultimamente é a esquerda portuguesa que tem merecido  esse qualificativo). E a reacção  possível num país em que a força dos sindicatos nas empresas está como está foi a participação no 15 de Setembro de 2012. Como mostrou Pedro Lains, a partir daí mudaram as percepções sobre o processo. E, poder-se-ia dizer também, o Governo entrou  num percurso errático até à demissão de Vítor Gaspar e de Paulo Portas, momento de possível viragem, que a esquerda e os movimentos sociais não puderam ou não quiseram aproveitar.

Na abordagem de Joana Amaral Dias houve, parece-me, uma injustiça para o PCP, que procurou efectivamente cunhar um termo diferente de “austeridade”. Enquanto a ouvia, estive alguns minutos a tentar recordá-lo. O “Pacto de Agressão”. Aparentemente não colou, isto é, não passou para a linguagem corrente dos destinatários. Razões ?

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A ONG “Centro Pedro Passos Coelho”

Como é que a ONG “Centro Português para a Cooperação” era conhecida por CPPC e não por CPC ?

Se olharmos bem para as letras temos aqui   “C-PPC”, ou seja, Centro Pedro Passos Coelho.

Narcisismo a mais ? Realmente parece.

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